A alopecia é uma condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e, nos últimos anos, ganhou maior visibilidade por atingir famosos como Xuxa, Maiara e Maraisa e Deborah Secco. A doença é caracterizada por uma alteração nos folículos pilosos que pode levar à queda parcial ou total dos fios, impactando a aparência física, autoestima e a qualidade de vida de quem convive com a alopecia.
Entre os diferentes tipos, dois se destacam por suas características específicas: a alopecia areata e a alopecia androgenética, mais conhecida como calvície hereditária. Ambas apresentam sinais distintos e exigem acompanhamento médico para diagnóstico e tratamento adequados.
De origem ainda indefinida, mas com influência genética, a alopecia areata pode ser desencadeada por diferentes fatores, como estresse, gravidez, traumas físicos, infecções e até outras doenças autoimunes. De acordo com o Dr. Daniel Cassiano, diretor da Sociedade Brasileira de Dermatologia - Regional São Paulo, a queda provocada pela alopecia areata, na maioria das vezes, não é definitiva.
"A extensão da perda de fios pode variar de paciente para paciente, restringindo-se, geralmente, a pequenas áreas arredondadas no couro cabeludo. Mas, em alguns casos, a perda capilar pode afetar todo o couro cabeludo e até outras regiões do corpo que tenham pelos, como as sobrancelhas e cílios", explica. Já de acordo com a Dra. Jade Cury, os tratamentos "visam o controle da doença, reduzindo falhas e evitando o surgimento de novas áreas sem cabelos".
Já a alopecia androgenética é uma das formas mais comuns de queda capilar e não afeta apenas os homens. Nas mulheres, a doença costuma gerar grande impacto emocional, já que a diminuição dos fios aparece de forma progressiva e difusa, principalmente no topo da cabeça. Sobre a doença, a Dra. Lilian Brasileiro, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica:
"A alopecia androgenética é uma condição que gera um grande impacto emocional nas mulheres. Nelas, logo no início, a primeira impressão é que o cabelo perdeu peso, volume e já não cresce mais, até que progressivamente a rarefação chega ao ponto de expor ou esboçar o esbranquiçado do couro cabeludo. O cabelo ralo e fino é mais comum na parte superior da cabeça, na linha média do cabelo, mas também pode acometer a coroa e acontece de maneira difusa, sem provocar clareiras ou falhas circulares e bem definidas. Existem vários graus de alopecia e a exposição do couro cabeludo é determinada pela gravidade da alopecia, mas a mulher raramente fica com a careca lisa e brilhante como a do homem", explica diz.
Por se tratar de uma condição crônica, o acompanhamento médico é fundamental. O diagnóstico precoce permite retardar a evolução do quadro e preservar a saúde dos folículos, fortalecer os fios existentes, impedir que os saudáveis se afinem e manter a vitalidade do couro cabeludo. Dessa forma, medicamentos, procedimentos e até suplementação podem ser indicados de acordo com a necessidade de cada paciente. Em alguns casos, o transplante capilar é a melhor solução para conter a queda dos fios.
Nos últimos anos, várias celebridades brasileiras e internacionais têm falado abertamente sobre a alopecia, condição que provoca a queda capilar em diferentes graus e pode estar ligada a fatores genéticos, hormonais, autoimunes ou até ao estresse. Abaixo, o Purepeople te conta x delas que sofrem com a condição.
A atriz, esposa de Will Smith, informou em 2018 que foi diagnosticada com alopecia areata, a condição autoimune que causa queda de cabelo em áreas localizadas. Desde então, ela vem falando publicamente sobre os 'bad hair days' e compartilhando lições que lida diariamente com a doença. Em 2021, Jada raspou seus cabelos e passou a manter seu visual careca, que mantém até hoje.
A atriz lida com alopecia androgenética. Em entrevistas, Deborah Secco revelou que possui histórico familiar e que seu cabelo é 'bem fininho, quase de bebê'. Além disso, a estrela comentou que procedimentos exigidos pela profissão (como uso de megahair, tinturas, e calor) acabam agravando o problema. Secco realiza tratamentos a cada 15 dias, mas o transplante capilar ainda não foi recomendado por seus médicos até o momento.
Em 2022, Juliette revelou publicamente que foi diagnosticada com alopecia androgenética feminina. Para o tratamento, Juliette já mencionou técnicas como uso de laser sobre áreas do couro cabeludo, especialmente em regiões próximas à testa, onde tem as maiores falhas. A campeã do 'BBB' também garantiu que tem uma tendência familiar a desenvolver o quadro.
Xuxa revelou recentemente que foi diagnosticada com alopecia androgenética, e, segundo a apresentadora, a condição se manifestou com o passar dos anos, agravada por fatores como uso de produtos químicos, sprays, e também pelas mudanças hormonais relacionadas à idade. Para enfrentar o problema, Xuxa optou por fazer um transplante capilar e vem mostrando o crescimento de seu cabelo.
Maiara foi diagnosticada com alopecia androgenética em 2023. Desde então, ela passou a fazer tratamento contínuo para retardar a queda capilar e o afinamento dos fios. "Uso tela porque tenho pouco cabelo. Faço os tratamentos [...] mas é isso. Logo devo encarar um implante, porque existe implante para a mulherada", disse nas redes sociais durante uma live.
Irmã de Maiara, a cantora Maraisa, também sofre com a alopecia androgenética. A sertaneja revelou ter recebido o diagnóstico em 2021 e, para lidar com a doença autoimune, utiliza tratamentos contínuos com acompanhamento especializado, que incluem uso de medicações, vitaminas e procedimentos como mesoterapia, além do uso de megahair para disfarçar a calvície.
No próximo domingo (21), a Avenida Paulista, em São Paulo, será palco da 1ª Caminhada de Conscientização sobre a Alopecia Areata, iniciativa promovida pela Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo. O evento gratuito começa às 10h, em frente ao prédio da FIESP, e deve reunir cerca de 300 pessoas entre pacientes, familiares, médicos e até a influenciadora Bella Miyashiro, que também convive com a condição.
Setembro é considerado o mês de conscientização sobre a alopecia areata, doença autoimune que afeta aproximadamente 2% da população e representa 1,2% dos atendimentos dermatológicos anuais no Brasil. Segundo a dermatologista Dra. Jade Cury, presidente da SBD-RESP, a caminhada tem como objetivo ampliar a informação sobre a condição, caracterizada pela queda de cabelo em áreas arredondadas do couro cabeludo ou em outras regiões do corpo.
"Queremos contribuir para diminuir o preconceito que ainda envolve a alopecia areata e auxiliar os pacientes a lidarem com a doença. Apesar de não ser contagiosa ou trazer riscos diretos à saúde física, é uma condição que provoca grande impacto estético e emocional, afetando autoestima, vida social e bem-estar psicológico", explica a especialista.
As inscrições são limitadas e podem ser feitas diretamente no site da entidade.